Marziano Di Tortona e o Tratado da Deificação dos Dezesseis Heróis

Atualizado: 4 de jan.

Determinar data e local do surgimento do tarô com precisão é uma tarefa dificílima para muitos historiadores e estudantes do assunto, mas graças a registros em museus e bibliotecas temos uma grande bagagem para não cairmos no abismo da ignorância.

Fazendo uma viagem para o fim da idade média e início do período renascentista na Itália, berço do que chamamos hoje de tarô, temos os registros mais antigos que a atmosfera tarológica possui.

Existem registros de conjuntos de cartas por diversas cidades ao redor de Milão, cidade de onde possivelmente se originou o tarô, onde na época eram chamadas de Trunfos.

Ao falar dos baralhos Visconti-Sforza e suas artes devemos ter cautela ao atribuir o design apenas à um autor, pois, tendo em vista segundo historiadores, contém as mãos de vários artistas na criação das imagens.

Hoje falarei sobre um baralho em específico, que foi encomendado pelo Duque de Milão, Filippo Maria Visconti, baralho este que provavelmente teria inspirado na criação dos trunfos, posteriormente conhecidos como TARÔ.


Filippo M. Visconti, nasceu em 3 de setembro de 1372 e faleceu em 13 de agosto de 1447, foi duque de Milão de 1392 à 1447. Filippo possuía um secretário e conselheiro, que além de executar tarefas administrativas, também era Astrólogo e Astrônomo (na época as duas artes eram conjugadas), este grande conselheiro do duque chamava-se Marziano Sant’ Aloisio, posteriormente conhecido como Marziano di Tortona, pois Sant’Aloisio era uma pequena aldeia na cidade de Tortona.

Filippo era apaixonado por jogos de cartas e tabuleiro, à partir daí entramos na história de onde possivelmente os baralhos da linha Visconti-Sforza, poderiam ter sido inspirados.

Segundo historiadores, um dos relatos mais antigos sobre os trunfos se chama Tractatus de Deification Sexdecim Heroin”.

O Tratado da Deificação dos Dezesseis Heróis foi escrito por Marziano Di Tortona em 1415 e dedicado ao duque de Milão, Filippo Maria Visconti.

Neste baralho, conforme o tratado, era composto por 16 trunfos correspondentes a 16 divindades Romanas, porém, por conta do cristianismo, esses Deuses de origem Etrusca foram reduzidos à heróis para que os cultos fossem cessados, fazendo assim parte da mitologia tardia, com conotação mais literária.


O baralho possuía 16 Trunfos e cartas do que chamamos hoje de naipes. Em sua totalidade, não se sabe ao certo, quantas cartas existiram neste baralho.

Um fato curioso durante minhas pesquisas, é que alguns historiadores referem-se ao trunfos criados posteriormente ou até mesmo por conta da tradução, referem-se ao Tarô como um conjunto de Trunfos Canônicos e cerca de vinte e cinco anos depois, Jacopo Antonio Marcello, um contemporâneo de Da Tortona, denominou-os de ludus triumphorum, ou "jogo dos triunfos". O baralho foi ordenado da seguinte forma e com os seguintes símbolos:


Dinheiros (o que posteriormente conhecemos como moedas): Riqueza - Fênix

Espadas: Virtudes - Águia

Copas: Prazeres – Pomba

Bastões: Temperança – Pomba-rolinha

Imagens cedidas e autorizadas pelo autor do Baralho por Robert Place The Tarot’s Oldest Ancestor, The Marziano Tarot 1412-1425 Recriado em 2015 (Link disponível no fim do artigo).



16 Deidades:


Júpiter, Juno, Pallas, Vênus, Apollo, Netuno, Diana, Baco, Mercúrio, Marte, Vesta, Ceres, Hérules, Eólo, Daphine e Cúpido.


Clique na seta para o lado e veja as imagens. Imagens cedidas e autorizadas pelo autor do Baralho por Robert Place The Tarot’s Oldest Ancestor, The Marziano Tarot 1412-1425 Recriado em 2015 (Link disponível no fim do artigo).


Vale salientar que Marziano em seu tratado, descreveu de forma literal as características dos trunfos, de modo que mesmo na ausência da arte, poderíamos imaginar como seria a imagem destes Deuses impressos nas lâminas.

O Design das cartas foi atríbuido à Michelino da Bezosso, do qual o baralho é referido como “Filippo-Marziano-Michelino”.

Filippo além de ser adepto aos jogos lúdicos, especialmente baralhos como citei no início do texto, também se interessou pela astrologia por causa de Marziano, onde abriu espaço para que diversos astrólogos renomados pudessem acessar a corte e o ajudar a guiar-se na sua jornada estatal.


Existem algumas correlações á nível especulatório entre o Baralho de Marziano e o Tarô tradicional, porém não existe nenhuma certeza comprovada historicamente, apenas semelhança, tais como:

Imperador – Júpiter Imperatriz – Juno Enamorados – Cúpido Sacerdotisa - Vesta Carruagem - Marte Força – Hércules Justiça – Deméter O Louco – Mercúrio


Assim como algumas cartas consideradas negativas e até mesmo pelo contexto cristão, tais como Torre e Diabo, alguns Deuses considerados deste mesmo polo, também não foram acrescidos, exemplo: Saturno.


Robert M. Place, escritor, designer, historiador de tarô, criador do Tarô Alquímico e outras grandes obras, possuí seu trabalho em museus, e em suas obras introduz elementos da astrologia, hermetismo, alquímia, magia e mitos.

Recriou em 2015 o baralho Filippo-Marziano-Michelino, de acordo com a descrição do Tratado escrito por Marziano, baralho cujo nome é The Tarot’s Oldest Ancestor, The Marziano Tarot.



E em seu próprio site há um link de redirecionamento para a compra do baralho, bem como do próprio tratado!

O Link estará disponível no final do texto, junto com as referências para a extração da minha pesquisa.



Sem dúvida alguma, o baralho Filippo-Marziano-Michelino nos coloca próximo ao berço da nossa grande ferramenta de estudo e trabalho, O Tarô.


Sem história e sem passado, não existe o futuro.

1º de Janeiro de 2022

Helene Bianconi.



Fontes:

http://trionfi.com/earliest-tarot-pack

https://robertmplacetarot.com/the-tarots-oldest-ancestor-the-marziano-tarot/

https://marzianotoludus.blogspot.com/2019/12/

https://www.treccani.it/enciclopedia/filippo-maria-visconti-duca-di-milano_%28Dizionario-Biografico%29/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Tarot



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